Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Dor neuropatica

 

 
   
Quando a dor se torna doença (Destak)  
   
Quando a dor se torna doença (Destak) 13.10.2009
 
   
Começa hoje a Semana Europeia que pretende alertar e ajudar na luta contra a dor

Quando a dor se torna doença

São milhares os portugueses forçados a viver com uma dor que lhes tomou conta da vida. O Destak foi assistir a uma cirurgia que visa devolver aos doentes o alívio perdido.

CARLA MARINA MENDES

Chamam-lhe crónica, mas, para quem dela sofre, a designação pouca diferença faz. Os que partilham a vida com a dor, que lhes rouba a normalidade e lhes impõe novas regras, sabem apenas que vão acordar com ela, a mesma com que se deitam todas as noites. Francisco, 39 anos, pintor da construção civil, conhece-a bem. Ao longo de dez anos, os mesmos em que foi obrigado a conviver com o que os médicos dizem ser uma dor neuropática, muitas foram as tentativas feitas para lhe proporcionar o alívio desejado. Sem sucesso. Há três dias, foi submetido a uma intervenção que lhe deu, pela primeira vez numa década, um momento livre de dor.

Nos instantes que antecederam a chegada dos especialistas à sala de operações, minutos antes do arranque da cirurgia de implante de um neuroestimulador, era difícil esconder a ansiedade. Deitado na mesa, barriga para baixo, procurava a melhor posição para o braço esquerdo que, dominado pela dor resultante de um acidente de trabalho, interrompeu a normalidade.

A esperança de uma melhor qualidade de vida foi depositada no trabalho do grupo de anestesistas que, na sala 2 do bloco operatório do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, pôs em marcha uma técnica destinada ao tratamento da dor neuropática, o mesmo é dizer, a que afecta o sistema nervoso, que se torna a fonte dessa mesma sensação dolorosa.

«O que fazemos é colocar um eléctrodo, ao nível do espaço epidural, que emite pequenos impulsos eléctricos que alteram a forma como experimentamos a dor», explica ao Destak Armando Barbosa, um dos especialistas na sala. Algo que, acrescenta ainda, se faz apenas em último recurso, quando todas as outras terapêuticas falharam na tentativa de se conseguir o alívio.

A ideia, avança José Caseiro, coordenador da Unidade de Dor do Hospital dos Lusíadas, é quase 'enganar' o sistema nervoso, para minimizar a dor. «Imagine um incêndio. Quando acontece, chamamos os bombeiros, que vão a correr. Mas se o fogo for na central dos bombeiros e estes forem apanhados de surpresa, é uma tragédia porque temos lá todos os meios mas não há tempo para agir. Podemos comparar esta situação ao que acontece nestes casos com o sistema nervoso, que é como se tivesse endoidecido, é como se os canais próprios do alívio não funcionassem. Um processo a dois tempos O procedimento através do qual se implanta o neuroestimulador - que mais não é do que um pequeno aparelho que emite impulsos eléctricos através de eléctrodos colocados sobre os nervos da coluna, impedindo a passagem da dor para o cérebro - realiza- -se a dois tempos. «Primeiro, colocamos no sítio certo os eléctrodos, que ficam ligados a um dispositivo exterior», explica José Caseiro. Quinze dias depois, é a vez do gerador, que se coloca sob a pele. «O que pretendemos é testar, para ter a certeza que tudo funciona», acrescenta o especialista.

Francisco ainda só deu o passo inicial, mas acredita que, em duas semanas, vai voltar ao bloco operatório, sinal de que o neuroestimulador levou de vencida a dor que o tem atormentado e que, confirma, lhe destruiu a vida. Por agora, vai dizendo que está «bem», palavra até então arredada do seu vocabulário, mas que espera voltar a usar frequentemente.

 
 
Listagem de Ficheiros
 
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> 12.10_destak.pdf    

publicado por Francisco às 22:00
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