Sábado, 28 de Abril de 2007

2006 - 2007 Centenário de Agostinho da Silva

 Ser, Pensar, Agir, Criar, Amar. Poesia, Filosofia e Ciência

Pensador à margem da tradição académica dos professores de filosofia e dos filósofos profissionais, provocador de ideias mais do que doutrinador, Agostinho reassume porventura a tradição originária da própria filosofia em que esta é inseparável da vida. Ciente dos limites do próprio pensar, e colhendo o que encontra no cristianismo de superior à tradição helénica, a suprema actividade humana é todavia o amor, o qual supera filosofia, ciência, arte e política na experiência dessa unidade inefável em que se pressente a Verdade oculta a toda a dualidade. Um amor omnicompreensivo e unitivo que, sendo místico, não

deixe de ser criador, como o Infinito agostiniano, simultaneamente humano e divino, no qual as nossas mentes inventam a cada instante o mundo.

"[…] não seria mau que […] a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão" –

"O Estrangeiro - A Grécia, que me encanta, tem todas as qualidades […], mas falta-lhe talvez a do Amor.

[…]

Não falei, Diotima, de pensamentos sobre o amor, nem do amor das ideias, nem do amor da beleza que a ela se dirige pondo de lado a fealdade. Falo do outro amor, capaz de sacrificar todas as possibilidades de quem o sente, para que o inferior não fique na sua inferioridade. […] e se um dia surge na terra o amor em que penso – o amor que morrerá pelos escravos, pelos humildes, pelos vagabundos que não têm onde recostar a cabeça, o amor que se sacrifica por aqueles que parecem não ter mérito algum, então […] a vida seguirá rumos que hoje nos parecem totalmente fechados" –

"Você tenciona […] ser um filósofo, não no sentido de que exporá doutrinas alheias ou construirá uma sua doutrina e se dará satisfeito com tudo isso, mas no sentido de que tentará pôr a sua vida de acordo com a sua filosofia, à maneira de certos gregos e de quase todos os hindus" –

"Quem fala de Amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizando uma óptima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama: às vezes o sabe a mulher amada, mas creio até que num amor que fosse pleno, em que nada

entrasse das preocupações da terra, nem ela o saberia" -

"Não é quando se está em transe de amor, o único momento em que verdadeiramente se ama, que se escreve ou se compõe ou se pinta: é depois, quando o amor se abateu, quando reina o artista, […] e há do amor apenas a lembrança, quase uma reminiscência platónica, no sentido de que foi uma experiência que nos excedeu e de que só poderemos recordar fragmentos e talvez o que menos valha" -

"Já você outro dia se revoltou perante o meu prazer de embarcar, embarcar sempre, acreditando cada vez menos nos portos de chegada; […] continuo […] a ter como mais firme dentro em mim a aspiração de que um atinja o heroísmo de me atirar a todas as batalhas em que não haja esperança de vitória. […] Não me tentam nada as estradas que vão de um ponto a outro, de que sabemos, à partida, a quilometragem e a direcção; tentam-me as estradas que não vão dar a nenhum ponto. […]

[…] embarcar num navio que nunca chegará, rumar por mapa e bússola ou goniómetro para o porto que não existe" -

"[…] é possível até que essa sua filosofia como esta minha física sejam apenas substitutos do amor para pessoas fracas; deram-nos alteres de menor peso porque não nos viram com bons músculos. É uma pena que tenhamos de sentir este desprezo por nós próprios, mas que havemos nós de fazer se em lugar de amarmos nos entretemos pacificamente, com a paz dos miseráveis, a comentar Kant – e sem saber se o percebemos – ou a estudar Einstein – e sem saber se o percebemos ?" -

"[…] que filosofias pitorescas são essas que pretendem explicar o mundo e têm de bulhar ? Uma filosofia, ao que eu entendo, tem de ser uma explicação total do universo: porque não inclui então aquele que nos aparece como adversário ? […] Dirá você que uma concepção dessas, em que todos os contrários se harmonizam, só é possível em Deus. Vamos então nós desistir de chegar a Deus ? Essa, para mim, é que é a grande tarefa filosófica, como é a grande tarefa da arte, da ciência, da religião e da sociologia ou, melhor,

da política. Do amor também: do amor sempre, porque, se é verdadeiro, ele supera a ciência e a arte, a filosofia e a política" –

"O vício de pensar é porventura dos mais daninhos que se abateu sobre a humanidade e quanto mais felizes seríamos se pudéssemos regressar a tempos que, simbolicamente, chamaríamos de ante-pré-socráticos, quando a filosofia ainda não aparecera com a pretensão de substituir o conto de fadas, ou até antes disso, quando o conto de fadas ainda não aparecera com a presunção de substituir a vida" –

"Amor atinge de pronto e por sua essência o que inteligência e vontade de obedecer atingem por desvios. Só que é mais difícil amar do que entender ou obedecer. A muitos parecerá o contrário, porque estão confundindo o amor com o desejo, porque estão confundindo o que destrói, mesmo que crie, com o que longe de destruir aumenta a realidade do que existe. Quem ama verdadeiramente ama o que lhe aparece, tal como é, e, ao mesmo tempo, o que será aquele mesmo ser desenvolvendo-se, como Deus o quer, em plena liberdade. Amar alguém ou alguma coisa é primacialmente instalá-lo num clima de plena liberdade, com todos os riscos que a liberdade comporta: desejar é limitar na liberdade, a nós e aos outros. Mas quando verdadeiramente amor existe, então realizamos na terra o que há de mais belo e de mais raro: porque todo o amor que ama o eterno é o amor de Deus amando-se a si próprio" -

"Haveria uma forma segura de não ser herege, e seria esta a de não pensar […]

Errar para os lados da heresia é coisa que a cada passo pode surgir no caminho de quem pensa e de quem pensa como se deve pensar, isto é, não como alguma tarefa que se executa em horário fixo ou que serve para escrever artigos ou para dar aulas, mas como uma função de todo o ser, como um esforço não só para a clareza, a plenitude de visão, a intuição das ideias, mas, ainda mais, para as integrar no próprio teor da vida" -

"[…] Não há hoje no mundo nenhuma crise real de ciência ou de técnica, de política ou de moral, de pedagogia ou de arte. Tudo vem como aspecto ou como projecção de uma crise de pensamento filosófico: a multidão de fenómenos, materiais e espirituais, excedeu as

disponibilidades do homem pensante, habituado a sistemas do real, quanto agora se lhe abrem as exigências de concatenar, num todo único e vivido, o real e o possível; habituado a ser apenas filósofo ou apenas místico quando tem que se virar agora a ser simultaneamente místico e filósofo, com a agravante de que, se era místico de uma só religião ou filósofo de uma só filosofia, tem hoje de encarar o ser místico de todas as religiões e filósofo de todas as filosofias" - "Vicente: filosofia e vida" [1972].

"Em primeiro lugar devemos esclarecer aquilo em que claramente acreditamos, porque é possível que estejamos somente a seguir, que nem carneiros, acanhadamente, os caminhos que nos foram abertos pelas nossas famílias, igrejas, partidos políticos, pelas maiorias do nosso país e sociedade, ou pelas nossas próprias confusões. Não precisamos de ter uma metafísica muito complicada porque, se alguma vez conhecermos a verdade última, ficaremos talvez surpreendidos por reconhecermos que foi fácil e que as teorias dos nossos pensadores eram uma poesia bela sobre a Verdade, mas não a Verdade. Ou talvez reconheçamos que a Verdade é somente para o silêncio. Devemos acreditar em nós próprios, nos nossos irmãos e numa ordem do mundo escondida e cheia de significado" - "Os três dragões" [1972].

"Só há espaço quando se vê e só há tempo quando se pensa" -

"Talvez não tenha cada um sua mundividência; mais certo seria dizer-se que tem sua mundinvenção, e que só essa é real" -

"Nada peças nem perguntes, inventa o mundo" –

 

8. Cultura, Civilização, História, Arte e Vida

Considerações [1944]. Conversação com Diotima [1944]. Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945]. Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945]. Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945]. Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945]. Sete Cartas a um Jovem Filósofo, [1945]. Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945]. Um Fernando Pessoa [1959]. As Aproximações [1960]. As Aproximações [1960]. Pensamento à Solta. Pensamento à Solta. Cortina [inédito].

Intuição fundamental de Agostinho, surgida na sua interpretação do mito e da religião gregos, é a de que o actual processo histórico-civilizacional procede de uma ruptura com um estado primordial, simultaneamente natural e divino, porventura causada pela escassez alimentar. Assim se teria passado de comunidades restritas a sociedades

organizadas para a luta pela sobrevivência, com o surgimento da propriedade, das relações de poder, do trabalho, da pedagogia e da religião instituída, tudo formas defensivas e agressivas da humanidade prosseguir o seu combate para se emancipar da Vida plena. Mas o sentido desta cisão histórica é a sua própria transcensão, o que o pensador vislumbra possível pela colocação dos recursos tecnológicos ao serviço da libertação humana dessa luta pela subsistência e da reconquista do ócio e da abundância pré-históricos, só possível por uma profunda transformação espiritual que leve a uma abdicação voluntária dos demais frutos da civilização, em particular da noção de propriedade.

"Sente-se o que você diz: a impressão de que verdadeiramente a vida é nobre e bela, forte, calma e clara, e de tão extraordinário encanto, de tão ardente energia que se plenamente tivéssemos consciência do que é a vida não a poderíamos suportar. Explodíamos" -

"[...] pelos fins do século XIX, e confirmando-se principalmente com os trabalhos dos etnógrafos e dos viajantes dos princípios do século XX, surgiu a descoberta de pequenas populações, na África, na Oceânia, na América e na Ásia, que viviam uma existência totalmente diversa da que é habitual aos homens e correspondendo ponto por ponto à descrição que tinham feito os gregos da humanidade dos primeiros tempos. Os mais primitivos destes povos, os que se apresentavam com mais puras características, sem interferência alguma de povos em mais adiantado estado de civilização, viviam dos frutos que colhiam nas florestas, às vezes de caça e pesca, eram extremamente alegres, fidelíssimos às instituições monogâmicas, dando perfeita igualdade de tratamento às mulheres, incapazes de castigar as crianças, e sem nenhuma espécie de propriedade, sem organização social e sem nenhum vestígio de religião organizada" – "Comédia Latina" [1946-47].

"Agora já não havia nem tradição de gregos nem simples fantasia de poetas; existiam homens que viviam ainda em plena idade de ouro; e era fora de dúvida que, para se passar dessa idade de ouro, desse paraíso, para o que o mundo fora depois, tinha sido necessária uma revolução radical, uma quase transformação de natureza, uma queda, para usarmos uma terminologia que muitos julgam ainda não histórica. Não se via, no entanto, como se tinha dado a mudança, nem existe ainda hoje nenhuma hipótese perfeitamente satisfatória; crê-se,

porém, que deve entrar em linha de conta um factor biológico importantíssimo, o da fome. A certa altura, tendo rareado os frutos da floresta, o homem ter-se-ia voltado para a alimentação animal fornecida pela caça e pela pesca, e para uma forma primitiva de agricultura, a que se teria seguido uma forma primitiva de pecuária. Em lugar do contacto perfeito com a natureza, só possível com uma alimentação frugívora, o homem entrava agora em guerra com a natureza, no que respeita às actividades de caça e pesca" – "Comédia Latina" [1946-47].

"Por outro lado, a agricultura conduzia à escravização da mulher, a pecuária à escravização dos animais. E é então que aparecem as primeiras sociedades, que devemos cuidadosamente distinguir do simples agrupamento humano, as primeiras religiões organizadas, o sentido da posse; é então que aparece a educação das crianças, a pedagogia de que tanto nos orgulhamos, e que não é mais do que a submissão e extinção gradual dos instintos e das espontaneidades criadoras que não podem ter cabimento na vida social; surge tudo o que se tomou por natureza humana e que não é senão o resultado da pressão e da deformação a que, por necessidade de defender a vida, foi submetido o homem" –

"À medida, porém, que a civilização evolui, sempre no sentido de um maior poderio técnico, a noção de sagrado vai atenuando-se; todos os actos da vida passam a ser civis, desligando-se de qualquer ideia de sobrenatural; o mundo parece, não como um conjunto de sinais de Deus, que o homem venera, teme ou respeita, e de que participa pelas formas sacramentais, mas um domínio laico, com o uma propriedade a seu inteiro dispor e em que ele exercem todos os direitos de usar, gozar e abusar, com que se define a noção clássica de propriedade" -

"O homem vive, desde então, não para adorar o que vê, como outrora, não para fazer de todos os seus actos uma tentativa de reconquistar o paraíso perdido, mas para se aproveitar do que existe, para dominar, para se afastar cada vez mais da inocência da Idade de Ouro, com o risco de nunca poder reencontrar o caminho; o que seria bem trágico, porque já está na posse dos meios materiais que lhe permitiriam viver a vida do primitivo, sem os inconvenientes da incerteza e da fome, sem correr os riscos de ter de novo que percorrer a

longa, perigosa e dramática aventura da história; cada vez mais o homem se tem posto e considerado mais no mundo como o dono do mundo, com o direito de destruir os animais e as plantas, de escravizar os irmãos homens, de transformar a vida inteira nalguma coisa que não tem outro fim senão o de sustentar a sua vida material" -

"A vida tornou-se laica e tornou-se feroz, implacável e, o que é pior ainda, sem sentido nenhum que eleve a vida além da vida. É uma série de momentos em que se produz para se consumir e se consome para se poder produzir de novo. As relações do finito com o infinito, da parte com o todo parecem, em instantes mais críticos, correr o risco de se perder por completo; o acto gracioso da oferta aos seres fraternos e aos seres superiores, a gratuitidade do viver, desaparecem rapidamente de um mundo que se dessacratiza.

Costuma-se dizer que o progresso técnico superou o progresso moral; mas o que há na realidade é que o progresso técnico se fez à custa do fundo moral da humanidade, do seu fundo divino; e as grandes épocas de crise são exactamente aquelas em que o progresso técnico é o mais elevado possível e a consciência moral uma luz mínima que parece a cada momento ir apagar-se de todo no fragor das tempestades económicas e políticas" –

"[...] é exactamente pela técnica, mas pela técnica tomada como um jogo geral e não como um meio individual de ganhar dinheiro ou poder, que pode o homem abrir o seu caminho de regresso ao Paraíso: mas, para tomar a técnica como um jogo, é preciso que se seja anteriormente criança: a conversão religiosa ao Menino Jesus deve preceder a revolução social" -

"A história, proveniente da queda, isto é, de não ter tido o homem bastante confiança em Deus, trouxe sucessivamente outras quedas: uma delas, e porventura a mais terrível, foi a de terem os homens deixado de serem a imagem e semelhança de Deus nesse ponto: o de serem capazes, como Ele, da multiformidade da vida e não apenas da sua uniformidade.

Fomos todos obrigados a ser especialistas. […]" -

"E não julguemos que nos vamos libertar desta condição de especialistas apenas pela própria fatalidade do desenvolvimento científico e técnico. […] Jamais ninguém conseguirá

entravar o progresso técnico do mundo: mas é fora de dúvida que ele pode servir para escravizar ou para libertar. E é também, por outro lado, fora de dúvida que a liberdade só se obtém e mantém por um esforço contínuo de vontade, a liberdade realizada, é evidente, porque a outra é de nossa estrutura. A máquina só servirá para não sermos especialistas na medida em que pela meditação, pela oração e pela acção reafirmemos a nós próprios como um valor positivo a nossa semelhança com Deus neste particular: o de nos recusarmos a qualquer espécie de especialismo" -

"No fim de contas a questão que se põe quanto ao artista é se ele o pode ser na plena acepção da palavra, se não houver da sua parte uma total entrega a Deus, com todo o ascetismo e toda a poderosa actividade que tal atitude traz consigo. Possivelmente, toda a arte não é mais do que a revelação, fragmentada por homens, tempos e países, do Artista supremo que Deus é; a marca essencial de Deus é provavelmente a sua fantasia de criação: daí o Amor e a Acção; Amor ao que dele surge, Acção para que dele surja. Fantasia criadora que simultaneamente nos dá o tempo e a eternidade" -

"[…] o entendimento racional da História, nas suas origens, em todo o seu desenrolar e nos seus fins últimos, mostrará como toda ela vem, e em todas as suas características, de alguma vez ter suposto o homem que eram melhores os seus próprios planos do que os planos de Deus, de que era melhor mandar do que obedecer, de que, finalmente, valiam mais as suas pobres geometrias a três, quatro, cinco ou

[…] é a raiz de tudo ter tido o homem uma visão de si próprio que não era uma visão em Deus, de se ter considerado o homem como um ser separável e separado de Deus" -

"[…] temos que voltar aos povos naturais, como uma etapa necessária para o caminho do sobrenatural, e sem dúvida voltaremos, ou por nossa livre vontade ou, como tantas vezes sucede àqueles a quem Deus mais ama, pela viva e contundente força de golpes exteriores. Temos, primeiro, que pôr de lado, do que vamos ganhando, tudo aquilo que não é inteiramente necessário: não se trata ainda daquele casamento com a Senhora Pobreza que estará um dia para todos como outrora esteve para o que foi Poeta e Santo; […] Em segundo

lugar, o que pouparmos não deve ser olhado como uma segurança para nós, mas, no fundo, como trabalho que doamos a nossos irmãos homens, num esforço comum para que se anulem as fatalidades físicas, se entre o mais depressa possível na época das fábricas automáticas e se atinjam todas as condições materiais indispensáveis a que não seja o egoísmo, para os mais fracos, uma quase necessidade, e não seja um cristianismo autêntico, para os melhores, um quase suicídio" -

"Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar […] uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido vai ser destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se" -

"Então um dia, a uns fenícios, […] a uns homens morenos ou peles-vermelhas, que isso quer dizer fenício, sobrevieram como a outros na recente História, faces pálidas e cabeleiras louras que desciam do Norte, e que vinham para triunfar; a homens contentes com um deus que se escondia o mais possível e que agia por seus delegados, e aos delegados, não a ele, se rezava; com um deus que era íntegro e sobre cuja existência ninguém discutia, que se pode saber da existência de Deus; com um deus que, finalmente, falava o menos possível; sobrevieram os contrários, com valores totalmente distintos, e adversos; a homens instalados no mundo como uma realidade, e pouco preocupados com organização, acção, política, talvez moral, talvez saber, desceu a invasão dos que iriam criar teologia, filosofia e bancos, universidades e ascensores, ideias gerais e carteiras de identidade, eficiência e responsabilidade, o governo, e seu espanhol contra, o bravo espanhol que nunca se rendeu e considera a toda essa civilização como o máximo de selvajaria; e é, mas desaparecerá" - "Aqui falta saber, engenho e arte" [1965].

"A tradição mais profunda é a que vem da pré-história: noção alguma de propriedade; nenhuma instituição do sagrado; acordo sim, chefia não; de escola nem sinal" -

 

 

ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA

Sete Cartas a um Jovem Filósofo, [1945]. A Comédia Latina [1946-47]. A Comédia Latina [1946-47]. A Comédia Latina [1946-47]. A Comédia Latina [1946-47]. Um Fernando Pessoa [1959]. As Aproximações [1960]. As Aproximações [1960]. As Aproximações [1960]. n dimensões do que a fundamental geometria divina, a geometria a dimensão alguma. […] As Aproximações [1960]. As Aproximações [1960]. As Aproximações [1960]. Pensamento à Solta.
publicado por Francisco às 12:04
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