Sábado, 30 de Setembro de 2006

Comentários sobre o processo de RVCC

O "papel" do Técnico de RVCC
A actividade de um técnico de RVCC (Profissional de RVCC e Formador das áreas de competência-chave) exige amplos conhecimentos de cultura geral, uma formação sólida na área para a qual desempenham funções e um conhecimento global, transversal e assertivo de todo o processo RVCC. Exige, ainda, uma certa apetência para o relacionamento humano e um conhecimento global das vivências dos adultos com os quais trabalham. Por outro lado, torna-se essencial a aplicação de correctas atitudes e métodos pedagógicos que visem a competente e eficaz dinamização de todo o processo de reconhecimento, validação e certificação de competências.

Toda a actividade do técnico de RVCC processa-se através da comunicação que estabelece com os seus adultos, constituindo-se uma interacção simbiótica entre técnico – processo rvcc - adulto, em que ambos são partes activas. Torna-se, por isso, necessário reflectir sobre o acto de comunicar, sobre as implicações da comunicação interpessoal, sobre as atitudes que o técnico pode adoptar e os efeitos que estas podem produzir nos seus adultos, sobre os diferentes métodos e técnicas que tem ao seu dispor. Cada técnico tem o seu estilo de comunicar, mas tem que saber adaptar-se e lidar com as múltiplas situações concretas com que se depara no seu dia a dia, nunca esquecendo que cada adulto é um adulto, assim como, cada história de vida é uma história diferente, vivida por actores diferentes em contextos diferentes.

A educação e formação ao longo da vida constituem um programa de grandes dimensões que visa articular as necessidades e a motivação individuais de cada cidadão, nomeadamente num Centro de RVCC, o adulto que procura um processo de rvcc tem, à partida, um objectivo que despoletou a necessidade de aumentar a sua escolaridade, originando uma motivação acentuada para a frequência do mesmo.

Pelas características específicas e inovadoras deste processo é exigido aos técnicos que trabalham directamente com os Adultos que desenvolvam o espírito de cooperação e inter-ajuda, a capacidade de comunicar eficazmente, o relacionamento e adequação às características do público-alvo, e a habilidade de motivar e valorizar, sobretudo com o intuito de auxiliar o adulto a elaborar um bom portefólio.



27.11.05 - 13:32:01
Marcos Aguiar - Profissional de RVC - Esdime

CRVCC - muitas certezas/ muitas dúvidas
Nota: O Marcos Aguiar enviou este comentário para o Forum do Eixo 4, mas como o que escreveu também nos parece relacionado com o Eixo 1, decidimos colocá-lo nos dois.)

A Esdime – Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste, é (desde 2001) promotora de um CRVCC. Este Projecto constituiu-se, na altura, como um dos 6 CRVCC Piloto sobre os quais se alicerçou a rede nacional que hoje conhecemos.

O conhecimento do território, por parte da organização promotora, foi condição para que o sucesso do projecto fosse praticamente instantâneo. Sabemos quem somos e para quem trabalhamos. Temos resultados a jusante e a montante do projecto. Queremos continuar a trabalhar, porque temos consciência que muito há a fazer neste domínio.

No entanto, várias dúvidas “ensombram” a nossa capacidade de perspectivar o futuro:

1 – De que forma será possível agilizar os processos de financiamento dos CRVCC, nomeadamente, ao nível da celeridade dos reembolsos por parte do PRODEP? Muitos centros (incluindo o nosso), para a garantir o pagamento dos vencimentos das equipas técnicas (por exemplo), necessitam de realizar a chamada “ginástica orçamental”, uma vez que os atrasos dos financiadores são intoleráveis.

2 - Num contexto, em que se perspectiva o alargamento da rede, existem, simultaneamente, situações de CRVCC que equacionam “deixar cair” o projecto por questões meramente financeiras. Existe aqui alguma incongruência?

3 – Que mecanismos serão utilizados pelo governo e DGFV, no sentido de auscultar os CRVCC que já estão no terreno, quando for definitivamente assumido o alargamento da rede nacional a 400 CRVCC?

4 - Que perfil, ao nível da intervenção territorial, deverão demonstrar os “novos“ promotores de CRVCC?

5 – De que forma serão auscultados os CRVCC já inseridos no território, relativamente à “construção” e implementação dos processos RVC para B4 (12º ano)?

6 – Sendo previsível (e desejável) o arranque do RVC ao nível do B5, de que forma poderão as instituições de ensino superior beneficiar do conhecimento acumulado pelos CRVCC inseridos em territórios comuns? Que mecanismos estão a ser ponderados a este nível?

Seria importante que o encontro EFA desse “pistas” para estas e outras questões. Fico a aguardar.

Grato pela Atenção


17.11.05 - 11:20:36
Artur-lemos

recnhecimento de competências técnico/operativas
Ainda não se avançou para o reconhecimento de competências técnico/operativas.Faltam obviamente os referenciais nacionais, embora talvez se pudesse funcionar provisoriamente a partir dos referenciais estabelecidos pelo IQF e pelas Escolas Profissionais .Parece-me contraproducente o secretismo e o unilateralismo da DGFV apontado por Fernanda Marques e temo que apareçam orientações relativamente ao nível de rvcc do 12º ano que deixem de lado a área profissional.


15.11.05 - 11:07:37
Maria Priscila Soares

Preocupações várias
Esou ligada como directora a um CRVV, o que a In Loco anima na Serra do Caldeirão, Algarve.
Quando este novo dispositivo surgiu, a associação imediatamente o encarou como a resposta a uma necessidade há muito sentida: a de reconhecer e certificar as competências de muitos adultos e adultas com quem se foi trabalhando ao longo do tempo - em acções de formação, mas também em processos de animação e organização, inscritos na dinâmica de desenvolvimento local do interior rural do Algarve.
Importa reter as seguintes ideias: (a)trabalho com adultos (pessoas com uma experiência de vida rica e um conjunto de aprendizagens diversificadas,(b)inscrito numa dinâmica de intervenção apostada na valorização de um território e na melhoria da qualidade de vida de quantos o habitam, (c)levado a cabo, naturalmente, pela entidade responsável pelo lançamento e animação dessa intervenção.
As dificuldades têm sido grandes, sobretudo as que resultam do financimanto, que nos obriga a viver sobre a permanente ameaçado de asfixia.Mas porque temos consciência da importância deste trabalho - nós e tantas outras entidades sem fim lucrativo, que enfrentam as mesmas dificuldades para manter vivo o seu próprio Centro - temos persistido teimosamente.
As novas orientações políticas para este sector apontam para uma abordagem bem distinta: (a)os jovens do insucesso escolar como destinatários, (b) processo de certificação completamente desligado de qualquer dinâmica de intervenção, na pior das hipóteses sem real investimento na educação e formação das pessoas envolvidas,(c)conduzido por escolas e entregue a professores.
A seguir ao 25 de Abril, a experimentação na área da educação de adultos foi muito rica e criativa, tendo sido lançadas as bases para a criação de um sector de EFA em Portugal. Alguns anos depois, quase tudo estava reduzido a cinzas e reconduzido à via escolar. Será que a história se vai repetir pela segunda vez?


19.10.05 - 16:11:27
M. Ribeiro - Animador do Eixo 1

Um equilíbrio necessário a construir
Em primeiro lugar, permitam-me os organizadores e utilizadores do Fórum que realce a importância do Encontro Efa que se vai realizar e quanto o seu êxito depende da participação neste Fórum de um número alargado de visitantes. A sua contribuição vai valer a pena, não tenha dúvidas.
Sinais recentes indicam-nos que o RVCC se impõe cada vez mais no seio do nosso sistema educativo, como uma componente imprescindível do mesmo. Esta evolução, talvez um pouco inesperada, resulta de factores que se evidenciam, por vezes, como contraditórios: por um lado, o RVCC veio responder a uma necessidade efectiva da população (tendo sido aliás consagrado como direito, o que constitui um desenvolvimento interessante dos princípios em que assenta o próprio sistema); por outro lado, a introdução do RVCC constitui uma oportunidade para o Estado português suprir décadas de apatia e ausência de investimento estratégico na educação de adultos.
Ora a participação neste Fórum da Dra. Fernanda Marques sublinha, entre muitas outras coisas, a necessidade de olhar o sistema para além destes (ainda que com esses) factores, na medida em que o diploma com equivalência escolar que o subsistema de RVCC disponibiliza não pode ficar à mercê nem da pressão exercida por uma sociedade altamente sub-escolarizada (e, no caso de muitas pessoas, extremamente dependente da obtenção de um nível de certificação mais elevado) nem das expectativas dos 'grandes números' que a actuação do Estado (quase) sempre comporta. É com conta, peso e medida que a influência destas duas dimensões se deve exercer, para que não degenerem contra o próprio sistema: a sociedade deve ser capaz de pressionar quem governa a tomar medidas que promovam a Educação de Adultos e o RVCC em particular, sem que se prescindam dos critérios de qualidade e exigência ajustados a uma equivalência escolar; e o Estado, por seu turno, deve definir objectivos ambiciosos e financeiramente adequados, mas que não imponham uma lógica de funcionamento exclusivamente baseado na eficácia e produtividade.
Assim sendo, é a própria metodologia e as equipas de RVCC que oscilam entre estes dois pólos e é na sua força, parece-me, que reside a chave de um equilíbrio necessário a construir.
A questão que se impõe, na minha perspectiva, é portanto esta: que contribuições, dos diversos Centros de RVCC e profissionais da área, poderão ser trazidas a este Fórum que traduzam o equilíbrio construído / encontrado no trabalho desenvolvido ao longo destes últimos anos, entre a dupla pressão a que os diversos agentes do sistema de RVCC têm estado sujeitos (e que referi em cima) e a elevada exigência que o RVCC necessariamente comporta em termos metodológicos (personalização e autonomia, formação à medida, balanço e demonstração de competências, rigor e fiabilidade são, a meu ver, palavras-chave que importa considerar)?


12.10.05 - 18:40:21
F.Marques - Animadora do Eixo 1

RVCC: Um Sistema que se alicerça na VIDA
Parte I: Alguns apontamentos enquadradores
Em 2001 o Sistema Nacional de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências - CRVCC foi criado tendo tido por base da sua concepção três pressupostos políticos da maior importância:
A – Reconheceu-se pela primeira vez que a Escola não se constitui como espaço único e muito menos privilegiado das aprendizagens e do desenvolvimento de competências e traduziu-se este reconhecimento no direito à certificação escolar por referência a um referencial de Competências-Chave. Ao fazê-lo o sistema de RVCC declarou a sua especificidade e autonomia face ao sistema escolar porque se funda no reconhecimento e validação de competências e não na aquisição de conhecimentos.
B – Porque tem como eixo estruturante as experiências de vida enquanto espaço de desenvolvimento de competências, este Sistema não se sediou na Escola mas estabeleceu como parceiros e seus promotores instituições públicas e privadas da sociedade civil e de índole diversa – socioprofissionais, de desenvolvimento local, sindicatos, associações empresariais, etc. – estabelecendo com estas um contracto de parceria fundado na partilha e confiança mútuas, na reciprocidade de direitos e deveres.
C – Porque se funda no reconhecimento e demonstração de competências adquiridas em contextos informais e não formais ao longo da vida do candidato à certificação, este sistema faz do sujeito o eixo central da sua intervenção promovendo a autonomia do mesmo e aprofundando a dimensão cidadã deste.
A introdução deste subsistema no sistema de ensino concedendo-lhe todas as formas legais de certificação corporizou o início/continuidade de uma política de carácter inovador no quadro da Educação e Formação de Adultos.




12.10.05 - 18:38:56
F.Marques - Animadora do Eixo 1

RVCC: Um Sistema que se alicerça na VIDA
Parte II: Uma Política Inovadora
Com efeito, podemos destacar três campos de inovação incontestável deste novo subsistema:
A – No campo ideológico
1. Reconhece o direito inalienável de mais de metade da população portuguesa ao ensino e à qualificação, direito este que lhe tinha sido sonegado por 40 anos de ditadura;
2. Consagra a multiplicidade dos espaços de aprendizagem, reconhecendo que, muito para além do espaço escola, o indivíduo “aprende” em todos os contextos onde a sua vida se desenrola;
3. Favorece a cidadania porque se funda na autonomia do sujeito enquanto actor das suas experiências e actor no processo de reconhecimento e validação de competências.
B – No campo metodológico
1. O centro em torno do qual se desenrola o processo de RVCC é o sujeito;
2. Quem regula o processo de RVCC é o sujeito;
3. É um processo em estilhaços. Porque é um processo centrado no sujeito e por este regulado tem como impacto não apenas o objecto inicial – a certificação – mas vai despoletar um conjunto de consequências em cadeia tais como uma maior consciência de “si” e das suas potencialidades, favorecer a sua auto-estima, a sua autonomia, em suma, aprofundar a sua dimensão cidadã.
C – No campo político
1. Consagra formas do novo contrato social porque o Estado encetou no processo de implementação deste sistema uma nova postura e um novo papel na sua relação com a sociedade civil; o Estado assume-se como verdadeiro parceiro que dinamiza, co-orienta, monitoriza, encaminha, apoia e sintetiza.

2. Porque se funda na autonomia do sujeito, o RVCC aprofunda a democracia ao pretender contribuir para que os adultos que o frequentam sejam, eles próprios, agentes da mudança.
O contributo do RVCC, através das suas metodologias próprias de trabalho com os adultos, para a consolidação de uma nova mentalidade entre a população activa portuguesa de baixas qualificações e por isso baixos salários e mais exposta ao desemprego e à exclusão, é fundamental se tivermos em linha de conta a necessidade estratégica de desenvolver uma sociedade portuguesa assente nos valores da aprendizagem ao longo e em todos os contextos de vida: só é possível construir comunidades aprendentes a partir de indivíduos aprendentes.
Ao reorientar para o indivíduo o objecto da intervenção o RVCC reorienta-se também para a comunidade onde o mesmo está inserido criando condições para o desenvolvimento de processos de cooperação, solidariedade e desenvolvimento económico.


12.10.05 - 18:36:34
F.Marques - Animadora do Eixo 1

RVCC: Um Sistema que se alicerça na VIDA
Parte III:Metodologias promotoras da autonomia do sujeito e as cinco maneiras de assassinar o sistema.
O RVCC assenta e alimenta-se de metodologias específicas, que fazem apelo a instrumentos de intervenção que lhe são próprios o que, por sua vez, implica que o conjunto de agentes deste sistema apresente à partida um perfil de competências específico.
Poderemos agrupar em três campos os aspectos mais distintivos da metodologia RVCC:
A – Reconhecimento pelo próprio das competências que adquiriu e desenvolveu ao longo da sua participação activa nos contextos sociais, profissionais, pessoais, enfim em todos os contextos da sua vida. Validação por terceiros, mas a seu pedido, das competências de que ele se considera portador por referência ao Referencial de Competências-Chave.
Se o reconhecimento de competências tem como eixo único o próprio, as metodologias de intervenção aplicadas pelos técnicos de reconhecimento de competências visam apoiar esta descoberta pelo próprio, encaminhá-lo nas suas interrogações e dúvidas, garantir o aprofundamento da descoberta.
B – Um Referencial de Competências-Chave que é o garante da fiabilidade do processo certificativo e o garante da igualdade de tratamento de todos os candidatos à certificação.
Um Referencial organizado em torno de competências e não de conhecimentos e que por isso faz apelo a técnicos de validação de competências que saibam identificar, na multiplicidade de experiências narradas pelo candidato à certificação, as evidências da aquisição e desenvolvimento das competências exigidas.
C – Porque se validam e certificam competências a peça central de todo o processo é constituída pelo seu dossiê pessoal, por si construído e reconstruído ao longo do da fase de reconhecimento de competências e através do qual o sujeito procura comprovar que é efectivamente portador das competências por si reclamadas.

As 5 maneiras de assassinar o sistema
A especificidade e complexidade metodológica do RVCC arrasta riscos diários da sua descaracterização e da sua rápida absorção pelo modelo escolar. Contudo, se alguns destes riscos não são evitáveis porque são o resultado do próprio processo de amadurecimento, desenvolvimento e alargamento do RVCC, outros poderão (podem) resultar de iniciativas, concepções ou decisões evitáveis e erróneas.
Apenas alguns exemplos daquilo que consideramos poderem vir a ser os erros mais gravosos e flagrantes contra este sistema:
1 – Pretendendo que ele seja o remédio para todos os problemas da qualificação escolar, nomeadamente o problema do abandono escolar;
2 – Retirando-lhe o valor social do diploma através, nomeadamente, do recurso a políticas facilitistas possibilitadoras de grandes números;
3 – Desvalorizando a especificidade das suas metodologias tornando-o cada vez mais próximo do modelo escolar;
4 – Desenraizando-o da sociedade civil pela sua internalização exclusiva nos espaços formais da qualificação representados pelos serviços públicos;
5 – Menorizando a importância da especificidade das suas metodologias sob as falsas bandeiras da eficácia e eficiência.


12.10.05 - 18:27:45
F.Marques - Animadora do Eixo 1

RVCC: Um Sistema que se alicerça na VIDA
Parte IV:As questões críticas que se colocam
A – Alargamento da capacidade de certificação por via dos adquiridos ao nível do 12.ª Ano
As iniciativas tendentes a possibilitarem o alargamento da certificação de adquiridos ao nível do 12.º ano têm vindo a ser desenvolvidas pela tutela num clima de completo secretismo face aos Centros de RVCC existentes. Parece-nos ser este um erro estratégico da maior dimensão uma vez que o “know-how” mais significativo da certificação de adquiridos se encontra instalado nas largas dezenas de técnicos e dirigentes do sistema de RVCC que se vêem assim impedidos de participar no debate e reflexão sobre esta matéria.
No tocante aos dirigentes dos CRVCCs e entidades promotoras dos mesmos, encontram-se no mais completo desconhecimento relativamente aos moldes e sua capacidade de poderem vir a integrar este nível de qualificação nos seus Centros. Esta atitude da Administração relativamente aos seus parceiros na execução deste subsistema contraria radicalmente os moldes em que se fundou a relação Estado/Sociedade Civil quando o RVCC foi lançado em 2001.
B – A articulação certificação escolar/certificação profissional
As entidades promotoras de Centros RVCC olham com espanto para a política “expansionista” do IEFP nesta matéria…. Que pressupostos de reorganização territorial vão imperar? Com toda a capacidade financeira do IEFP o resultado pode vir a ser o esmagamento da rede já existente de 84 Centros e o nascimento de uma rede “novinha em folha” e radicada nos Centros de Formação?
A atitude da tutela tem sido neste caso, tal como na questão acima exposta, de total silêncio.
C – A crescente procura deste subsistema pelos jovens que abandonaram a escola
Hoje em dia os centros RVCC estão confrontados com uma procura crescente por parte de jovens que abandonaram a escola antes de concluírem o 9.º ano de escolaridade.
A eventual tendência a olhar o RVCC como uma panaceia para todos os males ligados à sub-certificação da população activa portuguesa poderá vir a ter, a curto e médio prazo, resultados dramáticos.
Interessa, antes de mais, regressar aos pressupostos e metodologias aplicadas no RVCC para afirmarmos que este processo assenta na vida do sujeito, nas suas experiência vivenciadas, na diversidade de contextos experimentados, etc. Logo, para que este seja o caminho mais indicado para o aumento do nível de qualificação escolar é necessário que o candidato tenha vivido suficientes experiências, vivenciado suficientes contextos facilitadores do desenvolvimento das competências exigidas. Constituem excepções os jovens de 18 anos que apresentam uma vivência de vida possibilitadora de um efectivo processo de RVCC.
Ao ser aplicada uma política menos rigorosa neste domínio colocamos seriamente em causa a credibilidade do sistema como não damos a estes jovens a resposta mais adequada para que eles possam desenhar um percurso de qualificação escolar e profissional.
Admitir-se-ia que um processo RVCC fosse realizado,Admitir-se-ia que um processo RVCC fosse realizado, no quadro de uma estratégia de apoio à reinserção escolar ou de formação profissional, mas com consequências apenas na reorientação e na valorização de adquiridos muito específicos; mas nunca na certificação e na equivalência a níveis formais de ensino.

D – Financiamento dos Centros
A instabilidade de financiamento tem vindo a caracterizar desde sempre a relação entre o Estado e a Rede de Centros de RVCC.
Com efeito, os atrasos e o desrespeito pela periodicidade dos fluxos financeiros tem vindo a obrigar, na prática, a que as entidades promotoras e/ou os agentes do RVCC financiem indirectamente o Estado a fim de evitarem o encerramento dos Centros. Este financiamento indirecto ao Estado traduz-se na ausência de recebimento de salários por parte dos técnicos durante largos períodos de tempo, no recurso a empréstimos bancários por parte das entidades promotoras vendo-se obrigadas a suportar os respectivos juros que não são elegíveis, no atraso com que os diversos fornecedores recebem os seus pagamentos, etc.
A gravidade da situação actual é tal que no início do próximo ano poderão encerrar portas diversos Centros.


04.10.05 - 19:20:17
Hugo Miguel Rico

O Sistema RVCC
Ao longo de quase 4 anos fui Profissional RVCC, na Fundação Alentejo e depois no Centro de Formação Profissional de Coimbra. O mérito da filosofia de base do processo é indiscutível, mas a monitorização, o acompanhamento e a regulação do Sistema já teve melhores dias. Digo isto porque a DGFV tem-se "esquecido" da sua paixão anunciada aos 4 ventos até há bem pouco tempo atrás! Curiosamente, este "desinteresse" coincide com um facto que me deixou surpreso, e agradado: foi algures na semana passada, que eu ouvi o Primeiro Ministro referir-se à aposta forte nos CRVCC'S para os próximos anos. Estará para rebentar um "boom" de Centros??? AH, e não caiamos no erro de apostar forte no Sistema RVCC só para colocar professores "descolocados"! A essência do processo necessita de algo mais do que a competência pedagógica do Professor. Há algum tempo atrás, num Seminário da DGFV, estive com mais algumas pessoas a apresentar sugestões (requeridas) pela DGFV para o perfil do Profissional RVCC, com o intuito da criação da carreira! Nunca mais vi nada... Mas mantenho a curiosidade, quer como observador e investigador na área, quer como Vice-Presidente da Associação Nacional de Licenciados em Ciências da Educação!


24.09.05 - 14:51:07
Eduardo Figueira

1. Número mínimo de indivíduos a certificar. 2. Certificação da população imigrante
1. A exigência de cada Centro de RVCC ter de reconhecercer e validar um número mínimo de adultos deverá tomar em consideração o contexto regional e local abrangido pelo Centro.
2. O sistema deverá ser extendido aos imigrantes e,neste sentido, dar a possibilidade de certificar as suas competências de nível superior ao que actualmente o sistema em vigor em Portugal permite
publicado por Francisco às 23:47
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2 comentários:
De Rodrigo a 8 de Março de 2009 às 11:15
reparei que tem por aqui profissionais RVCC .
digam-me por favor? as leis nos centro são iguais para todos formandos ou não ? a minha duvida e a seguinte, pretendi entrar no secundário logo que terminei o B3, a profissional recomendou a todos formandos do grupo uma formação modular, pois eram regras, eu e outros inscrevemo-nos num centro, uns dias mais tarde o mesmo centro colocou outros formandos no nível secundário sem qualquer conhecimento e no meu ponto de vista menos habilitados , que me dizem' isto 'e normal


De Carlos a 22 de Janeiro de 2010 às 16:30
O Portefólio Reflexivo de Aprendizagens torna-se num repositório de material científico e até reflexivo recolhido da internet colado na suposta Autobiografia.
A História de Vida vai crescendo de tal modo com esse material que acaba por desvirtuar o conceito de Autobiografia.
Não se testa conhecimentos adquiridos ao longo da vida, pois parte-se do princípio de que se tal informação consta no documento criado então é porque o adulto tem a competência adquirida.
Veja-se um exemplo em http://www.scribd.com/doc/12348763/CLC-UC6-DR-1-CASA
Aqui apresenta-se um glossário bilingue de termos relacionados com urbanismo obviamente retirado de um dicionário, com a presunção de que o adulto adquiriu competências ao nível da língua estrangeira. Nada mais falacioso!


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